quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Note 02

A pouco tempo foi me apontado um movimento repetitivo que eu faço que até então não tinha tido devida clareza, que foi o fato de que eu desisto muito fácil do amor.
Não sei bem quando ou onde e nem por que isso começou, mas a primeira lembrança que tenho disso gira mais ou menos em torno dos meus 10 anos, quando uma atitude do meu pai me fez pensar que não valia a pena amá-lo.
A vida seguiu, muitos amores e desamores aconteceram desde então e percebi que a maioria era sempre lavado de muitas lagrimas, dores, pensamentos suicidas e abandonos. Na medida em que a idade ia batendo a porta, mais eu sentia que era perda de tempo quando se tratava em amar e menos eu me disponibilizava a tal sentimento.
Teve nisso tudo até mesmo um ultimo suspiro, quando conheci o sagrado feminino e algumas pessoas que praticavam verdadeiramente o amor genuíno a tod@s e a tudo. Nesse tempo eu senti o amor muito forte e acreditei mesmo que tudo poderia ser modificado através dele. Me dediquei a gratidão das coisas todas, não precisava mais escutar rock pesado nos fones de ouvido pra desestressar, o amor estava curando e fazendo o possível para florear meus caminhos.
Até que a racionalidade extrema bateu a minha porta.
No inicio eu achei que não ia durar, imagina eu o ser mais emocional, impulsivo que eu conhecia, de repente começar a tomar decisões através da razão, agindo do lado da conveniência. Essa não era eu. Não era. Mas passou a ser.
Ultimamente tenho tentado esmiuçar meus sentimentos e atitudes, afinal não é disso que se trata a terapia? E esse ponto vai e vem quase sempre.
Eu desisti do amor.
E confesso que não foi conscientemente.
Eu olho pra dentro de mim e nada. Nadica. Não sobrou um pouquinho nem pra contar história.
Eu olho pro meu companheiro. Poxa eu arrumo tantos defeitos para não poder amá-lo. E tantas conveniências para permitir que ele ainda permaneça.
Eu conheço os casais apaixonados, nada daquilo me faz sentido, tudo parece mentira, tudo parece falso. Eu não consigo mais atribuir a palavra amor a coisas efêmeras. O amor não me parece nada passageiro. Mas existe coisas que duram pra sempre?
O amor é atribuído a quem se apaixona mas a paixão me parece algo tão falho.
A paixão que é cega e não o amor. O Amor nem olhos tem.
Entendendo que a verdade é verdade apenas para mim, penso por que o outro pensar diferente tanto me incomoda?
Bom acho que por hoje podemos ficar por aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário